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Descansar não está resolvendo
Vida & Lucros | Edição #095

Ultimamente, notei algo estranho acontecendo comigo.
Eu descansava, mas continuava cansado.
Dormia, tirava uns dias mais tranquilos, até desacelerava o corpo, mas aquela sensação de peso não passava.
Não era dor muscular, nem falta de sono no sentido tradicional.
Era outra coisa.
Um cansaço que estava na cabeça.
O corpo parava, mas a mente não.
Deitava na cama e continuava ali ligada, rodando, mas sem pensar em algo específico.
Como um computador com várias abas abertas: nenhuma urgente, mas todas gastando energia.
Acordava no dia seguinte sentindo que havia dormido, mas sem me sentir recuperado.
Eu achava que o problema era falta de descanso físico.
Que eu precisava de férias, de um feriado prolongado ou sumir por uns dias.
Às vezes, isso ajuda, é verdade.
Mas, cada vez mais, não resolvia, porque o cansaço que me dominava não vinha do corpo, e sim do excesso de estímulos externos.
Para pra pensar: a gente vive num tempo em que a cabeça não desliga mais.
O celular vibra, interrompe.
Uma mensagem chega antes da outra ser respondida.
Uma decisão puxa outra.
Um assunto puxa outro.
Um problema puxa outro.
Quando você percebe, passou o dia inteiro reagindo a tudo.
Esse tipo de cansaço é muito traiçoeiro, porque ele não vem de um esforço gigante.
Ele vem a conta-gotas, do acúmulo, da soma das pequenas cobranças mentais que nunca param, do estado constante de atenção.
Em um único dia, eu tenho que levantar às 5:15 da manhã pra dar tempo de ir à academia, tomar banho e me arrumar para o trabalho (e ainda não são nem 8h da manhã); fazer a leitura diária matinal, ter meu tempo com Deus, tomar um café da manhã saudável, ir para o trabalho, beber 3 litros de água, reservar um tempo pra meditar, pesar (na balança ou mentalmente) os alimentos pra ingerir, no máximo, 2 mil calorias; consumir 150 gramas de proteína, 55 gramas de gordura, 180 gramas de carboidratos; dar pelo menos 7 mil passos, ir dormir até às 22 horas para descansar de 7 a 8 horas por noite...
Ufaaaa!
E nem coloquei todas as tarefas.
Nosso cérebro não foi feito pra ficar ligado o tempo todo.
Ele precisa de um vai e vem: foco e descanso, ação e pausa.
O problema é que, hoje em dia, tudo vira foco o tempo todo.
Mesmo quando a gente acha que está descansando, continua consumindo estímulos: tela, informação, comparação, barulho.
E isso acaba cobrando um preço.
O corpo permanece em alerta o tempo todo, os hormônios do estresse se mantêm elevados, o sono se torna raso e a recuperação não é completa.
A gente continua na ativa, produzindo, parecendo normal por fora, mas por dentro o desgaste só aumenta.
Por isso, muitas pessoas hoje se sentem exaustas mesmo sem estarem sobrecarregadas.
Não é trabalho pesado demais; é excesso de decisões, microescolhas e de estar sempre ligado mentalmente.
Responder ou não, priorizar ou deixar pra depois, acompanhar ou ficar quieto.
Cada decisão parece pequena, mas gasta energia.
Quando essa energia vai acabando, surgem sinais estranhos: irritação sem motivo, dificuldade pra focar, esquecimentos bobos e a sensação de estar sempre atrasado, mesmo que não esteja.
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Antes do burnout aparecer de verdade, tem essa fase silenciosa.
Pessoas que continuam rendendo, porém às custas de gastar cada vez mais esforço interno.
É como acelerar um carro quase sem combustível.
E como a gente costuma resolver isso?
Pois é, com mais estímulos.
Mais café, mais controle, mais metas, mais disciplina forçada.
Isso até funciona por um tempo, mas depois cobra seu preço.
Nosso corpo pede momentos em que o cérebro possa sair do modo tarefa e entrar no modo reparo.
Pausas de verdade com silêncio de verdade.
Um tempo sem cobrança, nem que seja por alguns minutos.
Dormir ajuda, claro.
Mas dormir com a cabeça cheia não resolve muito.
Exercício também é bom, mas deve ser pra aliviar, não ser mais uma cobrança.
Técnicas de respiração, atenção plena e desaceleração... tudo isso funciona porque atua diretamente na forma como nosso corpo lida com o estresse.
Esse cansaço pode nem ser culpa sua.
Essa pode ser uma resposta normal a um estilo de vida que exige demais do cérebro, mais do que ele suporta por muito tempo.
O corpo sempre dá um toque.
Primeiro vem o cansaço; depois, os sintomas que, se ignorados, podem virar doença.
A questão não é se esse aviso vai aparecer.
Ele sempre aparece.
A questão é se a gente está disposto a ouvir, mesmo quando é só cansaço.
Nem todo descanso que a gente acha que está tendo é descanso de verdade.
Por vezes, você se acha preguiçoso, mas é apenas sua mente exausta.
Parece não ter força de vontade, mas é só excesso de estímulos.
Descansar não é só parar o corpo.
É, em algum momento, permitir que a mente também dê uma pausa de tanta cobrança.
Hoje em dia, isso se tornou quase um ato de rebeldia.
Até a próxima,
Gus
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